Theodor Ludwig Wiesehngrund-Adorno nasceu em
Frankfurt, filho de Oscar Alexander Wiesengrund (
1870 -
1941) - próspero negociante
alemão de
vinhos, de origem
judaica e convertido ao
protestantismo - e de Maria Barbara Calvelli-Adorno - uma
cantora lírica católica italiana.
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Posteriormente, Theodor passou a abreviar seu último nome, utilizando o
nome de solteira de sua mãe como sobrenome (Theodor W. Adorno, ou
simplesmente Theodor Adorno).
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Estudou música com sua meia-irmã (por parte de mãe), Agathe, uma
pianista. Frequentou o
Kaiser-Wilhelm-Gymnasium, onde se destacou como estudante. Além disso, ainda durante a adolescência, teve aulas particulares de composição com
Bernhard Sekles, e leu, nas tardes de sábado,
Immanuel Kant com seu amigo
Siegfried Kracauer - 14 anos mais velho e especialista em
Sociologia do conhecimento. Mais tarde, Adorno diria que deve mais a estas leituras do que a qualquer de seus professores universitários.
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Entre
1921 e
1932,
publicou cerca de cem artigos sobre crítica e estética musical e
conheceria Vilma, com quem se casaria pouco tempo depois. Sua carreira
filosófica começa em
1933 com a publicação de sua tese sobre
Kierkegaard. Em
1925, conhece pessoalmente um dos filósofos que mais o influenciaram até então - o jovem
Lukács. Crítico de
Kierkegaard, Lukács decepcionará o jovem Adorno ao renegar sua obra de juventude (
A Teoria do Romance por completo, e a
História e Consciência de Classe
em sua maior parte). Essas obras são pilares do pensamento de Adorno
que travará inúmeras polêmicas com Lukács por seus "desvios" de
pensamento em prol do partido.
Outro filósofo que influenciará Adorno de forma crucial é Walter
Benjamin, a ponto de Adorno afirmar que, em determinado momento de suas
produção filosófica, sua intenção era apenas de traduzir Benjamin em
termos acadêmicos.
Últimos anos e morte
Próximo de sua morte, em
1969, Theodor Adorno se envolve em uma polêmica com seu companheiro e amigo da
Escola de Frankfurt,
Herbert Marcuse,
por não ter apoiado os estudantes que, em 31 de janeiro daquele ano,
interromperam sua aula, tentando continuar, dentro do Instituto, os
protestos que tomavam as ruas das capitais da
Europa. Adorno chamou a
polícia 3
. Marcuse se posicionou a favor dos estudantes e, em uma série de
cartas, repreendeu e criticou severamente o amigo, dizendo de maneira
clara que "em determinadas situações, a ocupação de prédios e a
interrupção de aulas são atos legítimos de protesto político (...) Na
medida em que a democracia burguesa (em virtude de suas antinomias
imanentes) se fecha à transformação qualitativa, e isso através do
próprio processo democrático-parlamentar, a oposição
extraparlamentar torna-se a única forma de contestação:
desobediência civil,
ação direta".
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Adorno faleceu, por problemas cardíacos, no dia 6 de agosto de 1969. Encontra-se sepultado em
Hauptfriedhof Frankfurt am Main,
Frankfurt am Main,
Hesse na
Alemanha.
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Elementos fundamentais de seu pensamento
A Filosofia de Theodor Adorno, considerada uma das mais complexas do
século XX, fundamenta-se na perspectiva da
dialética.
1 Uma das suas importantes obras, a
Dialética do Esclarecimento, escrita em colaboração com Max Horkheimer durante a guerra, é uma crítica da
razão instrumental, conceito fundamental deste último filósofo, ou, o que seria o mesmo, uma crítica, fundada em uma interpretação negativa do
Iluminismo, de uma civilização técnica e da lógica cultural do
sistema capitalista (que Adorno chama de "
indústria cultural"). Também uma crítica à sociedade de mercado que não persegue outro fim que não o do progresso técnico.
A atual civilização técnica, surgida do espírito do Iluminismo e do
seu conceito de razão, não representa mais que um domínio racional sobre
a natureza, que implica paralelamente um domínio (irracional) sobre o
homem; os diferentes fenômenos de barbárie moderna (
fascismo e
nazismo)
não seriam outra coisa que não mostras, e talvez as piores
manifestações, desta atitude autoritária de domínio sobre o outro, e
neste particular, Adorno recorrerá a outro filósofo alemão -
Nietzsche.
1
Na
Dialética Negativa,
Theodor Adorno intenta mostrar o caminho de uma reforma da razão mesma,
com o fim de libertá-la deste lastro de domínio autoritário sobre as
coisas e os homens, lastro que ela carrega desde a razão iluminista.
Opõe-se à filosofia dialética inspirada em
Hegel, que reduz ao
princípio da identidade ou a sistema todas as coisas através do pensamento, superando suas contradições (crítica também do
Positivismo Lógico, que deseja assenhorar-se da natureza por intermédio do conhecimento científico), o método dialético da "
não-identidade",
de respeitar a negação, as contradições, o diferente, o dissonante, o
que chama também de inexpressável: o respeito ao objeto, enfim, e o
rechaço ao pensamento sistemático.
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A razão só deixa de ser dominadora se aceita a dualidade de sujeito e
objeto, interrogando e interrogando-se sempre o sujeito diante do
objeto, sem saber sequer se pode chegar a compreendê-lo por inteiro.
Essa admissão do irracional (segundo ele, pensar no irracional é
pensar nas categorias tradicionais que supõem uma reafirmação das
estruturas sociais injustas e irracionais da sociedade) leva Adorno a
valorizar a
arte, sobretudo a arte de
vanguarda, já por si problemática - a
música atonal de
Arnold Schönberg,
por exemplo -, porque supõem uma independência total em relação ao que
representa a razão instrumental. Na arte Adorno vê um reflexo mediado do
mundo real.
Da Crítica da Razão, Adorno chega também à crítica da linguagem. Para
Adorno, toda linguagem conceitual realiza alguma forma de violência
cognitiva, pois nunca é possível conformar totalmente às palavras aos
objetos e sentimentos tais como eles são (contradição do
"não-idêntico"). Como alternativa e complemento à linguagem conceitual,
Adorno valoriza a linguagem artística, a qual consegue expressar as
irracionalidades, contradições e estranhamentos dos sujeitos, sem
violentá-las por meio de conceitos. Ao erigir os seus próprios
significados, cada obra de arte cria o seu mundo interno (ser-para-si),
sem necessidade de se espelhar em objetos externos e incorrer em
violência cognitiva.
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Para Adorno, a postura otimista de Benjamin no que diz respeito à
função possivelmente revolucionária do cinema desconsidera certos
elementos fundamentais, que desviam sua argumentação para conclusões
ingênuas. Embora devendo a maior parte de suas reflexões a Benjamin,
Adorno procura mostrar a falta de sustentação de suas teses, na medida
em que elas não trazem à luz o antagonismo que reside no próprio
interior do conceito de “técnica”. Segundo Adorno, passou despercebido a
Benjamin que a técnica se define em dois níveis: primeiro “enquanto
qualquer coisa determinada intra-esteticamente” e, segundo, “enquanto
desenvolvimento exterior às obras de arte”. O conceito de técnica não
deve ser pensado de maneira absoluta: ele possui uma origem histórica e
pode desaparecer. Ao visarem à produção em série e à homogeneização, as
técnicas de reprodução sacrificam a distinção entre o caráter da própria
obra de arte e do sistema social. Por conseguinte, se a técnica passa a
exercer imenso poder sobre a sociedade, tal ocorre, segundo Adorno,
graças, em grande parte, ao fato de que as circunstâncias que favorecem
tal poder são arquitetadas pelo poder dos economicamente mais fortes
sobre a própria sociedade. Em decorrência, a racionalidade da técnica
identifica-se com a racionalidade do próprio domínio. Essas
considerações evidenciariam que, não só o cinema, como também o rádio,
não devem ser tomados como arte. “O fato de não serem mais que negócios –
escreve Adorno – basta-lhes como ideologia”.Enquanto negócios, seus
fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada
exploração de bens considerados culturais. Tal exploração Adorno chama
de “indústria cultural”.