A Sociedade do Espetáculo é o
trabalho mais conhecido de Guy Debord. Em termos gerais, as teorias de Debord
atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quanto da privada,
a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do
final da segunda grande guerra.
Ele faz a crítica, como duas
faces da mesma problemática, tanto ao espetáculo de mercado do ocidente
capitalista (o espetacular difuso) quanto o espetáculo de estado do bloco
socialista (o espetacular concentrado).
A pesquisa desenvolvida por ele
está fundamentada nos trabalhos de Karl Marx. Para conceber o atual estado do
desenvolvimento capitalista Debord se utiliza da noção de valor, conceituada
por Marx no primeiro capítulo do livro O Capital. Neste sentido o valor (que é
diferente do preço) surge no mercado como elemento de representação do trabalho
socialmente necessário para a produção da mercadoria. Tal característica da
mercadoria não se apresenta na forma material, mas no ato de equiparação entre
duas mercadorias. Para que possamos entender como o valor irá resultar na
reificação, ou seja, como a representação do trabalho que cada mercadoria
contém irá resultar na redução dos Homens a simples coisas, simples mercadorias
no mundo do trabalho, é fundamental a leitura do trabalho de Karl Marx. E mais,
é fundamental a leitura do livro História e Consciência de Classe, de Georg
Lukács.
No entanto, Guy Ernest Debord não
é apenas um competente leitor de Marx. Em sua obra podemos encontrar também
referências outras como Mikhail Bakunin ou Sigmund Freud. Sua obra A sociedade
do Espetáculo é o resultado de uma série de debates e leituras acerca dos
conceitos desenvolvidos por Marx. Debate este que tem recebido contribuições
enriquecedoras de diversas pessoas e de diversas ações. Pessoas como Anselm
Jappe e Robert Kurz.
O ponto central de sua teoria é
que a alienação é mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto
psicológico individual. É a conseqüência do modo capitalista de organização
social que assume novas formas e conteúdos em seu processo dialética de separação
e reificação da vida humana. Como uma constituição moderna da luta de classes,
o espetáculo é uma forma de dominação da burguesia sobre oproletariado e do
espetáculo, sua lógica e sua história, sobre todos os membros da sociedade.
Debord mostra algumas estratégias
que buscam resistir à alienação através da supressão ou derivação da realidade
espetacular, destruindo os valores burgueses tal como a submissão ao mundo do
trabalho.
Filme "A Sociedade do Espetáculo"